A tradição e a memória afetiva do campo ganharam vida mais uma vez na Expoingá com a Casa do Colono, um dos espaços mais visitados e emocionantes da feira. Em sua terceira edição, a atração resgata com riqueza de detalhes o cotidiano das famílias rurais da década de 1960, despertando lembranças nos mais velhos e encantando as novas gerações com a simplicidade da vida no interior.
Idealizada pela coordenadora da Fazendinha, Mônica Meyer Marques, a casa nasceu com a proposta de preservar a cultura do homem do campo e proporcionar uma verdadeira viagem no tempo. Construída em apenas 21 dias, a estrutura reúne objetos históricos doados pela própria comunidade, que abraçou o projeto como forma de manter viva a memória rural.
A réplica impressiona pela fidelidade aos detalhes: colchão de palha, chão vermelho encerado, banheiro externo, fogão a lenha e até a ausência de portas, substituídas por cortinas, como era comum na época. O ambiente também proporciona uma experiência sensorial que emociona os visitantes. “O que mais me impacta é a saudade que ela desperta. Ontem mesmo um menino entrou aqui e disse: ‘Estou sentindo o cheiro da casa da minha avó’. É uma casa altamente sensorial”, relata Mônica.
O sentimento atravessa gerações. A jovem Erica Moreira, de 18 anos, ficou emocionada ao conhecer o espaço. “Eu gostei muito de ter vindo. Algumas coisas ainda fazem parte da nossa realidade, como o filtro de barro, mas outras surpreendem muito. Parece uma casa mais aconchegante do que as de hoje, porque carrega memórias e sentimentos que a gente quase não vê mais”, comenta.
Para Erica, conhecer de perto o modo de vida das famílias rurais foi uma experiência marcante. “Ver o fogão a lenha, os quartos simples e imaginar famílias grandes vivendo assim faz a gente pensar em como as pessoas valorizavam mais as coisas simples. Dá uma sensação boa no coração”, afirma.
Além da estrutura histórica, a experiência é complementada pela culinária típica e pela apresentação de alimentos pouco conhecidos pelas novas gerações, como o melão-mortadela e a uva japonesa. Neste ano, a Casa do Colono também ganhou uma horta, incentivando o cultivo doméstico e reforçando a conexão com as raízes do campo. “A Casa do Colono simboliza o trabalhador rural e a história das nossas famílias. Todo mundo tem um pezinho na roça ou conhece alguém que viveu em uma casa assim”, destaca Mônica.
Em meio à modernidade e à grandiosidade da Expoingá, a Casa do Colono se consolida como um espaço de memória, afeto e identidade cultural, mostrando que as raízes do campo continuam vivas no coração das pessoas.






