“Na prática, cada prefeito teve que decidir: ou fecho o comércio e prejudico uma parte, ou salvo vidas, ou protejo as pessoas”, destaca Ulisses Maia.
Em entrevista ao Ponto a Ponto, o ex-prefeito de Maringá e atual secretário de Planejamento do Paraná, Ulisses Maia, voltou a abordar um dos períodos mais desafiadores de sua gestão: a pandemia de Covid-19. Ele classificou a crise sanitária como “a maior tragédia dos últimos 100 anos” e ressaltou que os gestores públicos se viram diante de decisões inéditas, agravadas pela falta de coordenação nacional e por divergências entre governos federal, estaduais e municipais.
Segundo Ulisses, a ausência de orientações unificadas obrigou cada prefeito a definir seu próprio caminho. “Não houve centralização em Brasília nem nos estados. No fim, cada gestor precisou decidir: ou fecho o comércio e prejudico um setor, ou preservo vidas, ou protejo a população.”
Ele reconhece que as restrições impactaram profundamente diversos segmentos, como bares, casas noturnas, lanchonetes e o setor de turismo — e que o descontentamento gerou atos públicos. “Teve protesto até na porta da minha casa”, lembra. Mesmo assim, Ulisses afirma ter tomado todas as decisões convicto de estar fazendo o mais correto para a cidade. “Minha escolha foi proteger a vida das pessoas. Foi difícil, claro, mas era o necessário.”
O ex-prefeito comparou o dilema vivido pelos gestores à situação de um pai ou mãe que precisa corrigir um filho, mesmo sabendo que isso gerará incômodo naquele momento. “Você sabe que precisa fazer. Prejudica uma parte, mas salva muito mais.”
Essa reflexão aparece em outros trechos do podcast, no qual ele também comenta o desgaste emocional enfrentado por sua família, além das críticas, ataques nas redes sociais e pressões de diferentes setores.
O episódio completo está disponível no canal do YouTube do Maringá Post.
Apresentação: jornalista Ronaldo Nezo.
Produção e gravação: VMark Estúdio.







