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De casa para o balcão: histórias de família transformam bares em protagonistas do Comida di Buteco em Maringá

Mais do que eleger o melhor boteco da cidade, concurso revela negócios que nasceram entre receitas de família, recomeços e memórias afetivas servidas à mesa

Em Maringá, o Comida di Buteco vai muito além da disputa pelo título de melhor boteco da cidade. Por trás de cada prato servido durante o concurso, há histórias que começam longe da cozinha profissional: nas reuniões de família, nos quintais de casa, em receitas passadas de geração em geração e até em recomeços inesperados de vida.

Na edição de 2026, que segue até o próximo domingo, 3 de maio, o concurso volta a reforçar justamente essa essência que transformou o boteco em um patrimônio afetivo brasileiro — a comida como ponto de encontro, o balcão como espaço de convivência e o empreendedorismo que nasce quase sempre de forma simples, mas muito verdadeira.

Na Casa do Guina, por exemplo, o bar nasceu antes mesmo de existir como empresa. Antes de abrir as portas oficialmente, a casa de Aguinaldo Toppe, o Guina, já era conhecida entre amigos e familiares como o lugar onde tudo acontecia: churrascos de domingo, feijoadas, caldos e encontros que reuniam gente de todos os lados. O ambiente ficou tão conhecido que o nome surgiu naturalmente: Casa do Guina.

O sonho de transformar aquilo em negócio sempre existiu, mas só saiu do papel em 2019. Até então, Guina trabalhava como CLT e atuava como gestor, sem nunca ter tido um bar. O que ele sempre teve foi gosto pela cozinha e prazer em receber pessoas. Pouco tempo depois da abertura, veio a pandemia e, com ela, os desafios financeiros e as incertezas de quem começava praticamente do zero.

Atravessar esse período exigiu persistência. Hoje, perto de completar sete anos, a casa se consolidou como um espaço assumidamente familiar, com público fiel e uma proposta mais tranquila, voltada para famílias e clientes que buscam boa comida e acolhimento. Guina continua à frente da cozinha, preparando os pratos ao lado da chef Elma e de uma equipe enxuta.

Para o concurso deste ano, o escolhido foi justamente o caldo verde — receita que já fazia sucesso nos encontros ainda dentro de casa. Feito com batata, bacon, calabresa e couve, servido com pão e torradas, o prato carrega exatamente a memória afetiva que deu origem ao negócio. Mais do que um petisco, é a continuação de uma história que começou no quintal e foi parar no balcão.

No Severina, a história também começa muito antes do bar. Ela vem do sertão da Bahia, nas festas juninas de Irecê, onde a família de Marcela Dourado, que comanda o bar ao lado do marido Joeder, montava uma barraca de caldos para trabalhar. O início foi tão simples quanto simbólico: sem dinheiro para começar, precisaram vender uma bicicleta para conseguir investir no pequeno negócio.

Foi ali que nasceu o caldo de macaxeira com galinha desfiada preparado pela mãe — receita que virou tradição e atravessou o tempo junto com a família. Anos depois, já em Maringá, essa lembrança ganhou uma nova leitura dentro do Comida di Buteco.

O Severina mantém até hoje essa lógica familiar como base do funcionamento. Marcela, Joeder e outros integrantes da família dividem funções e ajudam a construir um ambiente que vai além do atendimento. A proposta da casa é acolher como quem recebe visita em casa.

Neste ano, o tema obrigatório do concurso — verduras — levou o bar a revisitar justamente essa memória. Assim nasceu o “Poró-Cocó”, um caldo leve que combina macaxeira, frango desfiado e alho-poró, ingrediente que entra como protagonista e traz equilíbrio ao prato.

O nome irreverente ajuda a traduzir a personalidade do bar, mas o que realmente sustenta o petisco é a história por trás dele: afeto, origem e identidade servidos na mesma panela.

Já no Boteco do Binho, o ingrediente principal foi o recomeço. Fábio Volpato, conhecido por todos como Binho, passou boa parte da vida trabalhando na construção civil. Comunicativo, sempre gostou de cozinhar e carregava o sonho de ter o próprio bar, mas a decisão só veio em janeiro de 2020, quando resolveu mudar completamente de rota e abrir o negócio.

Poucos meses depois, a pandemia chegou — talvez o pior cenário possível para quem estava começando. O início foi difícil, cercado de inseguranças e da necessidade de fazer tudo funcionar praticamente no improviso. Mas, com insistência e muito trabalho, o bar resistiu.

Ao lado da esposa, Lília, que divide a rotina entre a profissão de professora e o apoio no negócio, Binho transformou o espaço em parte essencial da vida da família. Hoje, o Boteco do Binho funciona com equipe enxuta, atendimento próximo e uma característica difícil de reproduzir: o próprio jeito de receber.

É ele quem comanda a cozinha e prepara os petiscos, sempre com atenção aos detalhes. O bar se tornou ponto de encontro para amigos, famílias e casais que vão não apenas pela comida, mas também pela conversa e pela presença do próprio Binho.

Para o Comida di Buteco, ele criou a rabada com polenta e agrião, um prato que exige tempo e paciência. A carne é selada, cozida na pressão com temperos e depois descansa de um dia para o outro antes de ser servida. A polenta completa o preparo.

Quase como a própria trajetória do bar: nada imediato, tudo construído com tempo, cuidado e permanência. No fim, como eles mesmos resumem, o que faz o Boteco do Binho ser único é o próprio Binho.

Criado em 2000, em Belo Horizonte, o Comida di Buteco se tornou um dos maiores circuitos gastronômicos do país e hoje está presente em mais de 50 cidades brasileiras. Em Maringá, a competição chega à quarta edição, já consolidada no calendário gastronômico e cultural da cidade.

Mais do que premiar o melhor petisco, o concurso ajuda a transformar pequenos bares em referência gastronômica, amplia a visibilidade de negócios familiares e fortalece histórias que, muitas vezes, começaram de forma despretensiosa — dentro de casa.

O Comida di Buteco é viabilizado por grandes marcas que reconhecem o papel dos botecos na economia e na cultura brasileira. A edição conta com cerveja oficial Eisenbahn, apresentação de Knorr, patrocínio de Santander/Getnet, FYS e Sebrae, promoção da RPC TV e apoio de McCain, Chandon, Germer, Prefeitura de Maringá, Visite Maringá, Rádio Mundo Livre, Viaje Paraná, Abrasel e NEOOH.