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Família quer preservar o “Oscar gigante” da Vila Operária, em Maringá

Símbolo da antiga Fantasy Vídeo, o “Oscar gigante” da Vila Operária busca um novo destino. A família responsável pelo ponto icônico de Maringá tenta apoio para garantir a preservação da estátua que marcou gerações e se tornou parte da memória afetiva da cidade.

Com o passar dos anos, as cidades mudam — e os negócios também. O fim das videolocadoras encerrou um ciclo importante da Vila Operária: o da Fantasy Vídeo, conhecida pela imponente estátua do Oscar de 2,70 metros de altura, que por décadas chamou a atenção de quem passava pela esquina da Avenida Brasil com a Rua Mathias de Albuquerque.

Após a publicação de uma reportagem do Maringá Post que levantou a dúvida sobre o destino da escultura, familiares de Marcelo Manilia — um dos donos da Fantasy Vídeo, falecido em 2023 — procuraram o jornal para fazer um apelo: “Queremos preservar a história desse ícone que fez parte da vida de tanta gente.”

Marcelo, junto com o irmão Mário Manilia, comandou por anos a videolocadora, uma das últimas do ramo a encerrar atividades em Maringá. O fechamento marcou o fim de uma era, mas deixou lembranças vivas — entre elas, o Oscar gigante e o Robocop, personagem de filme clássico dos anos 1990, que parecia atravessar a parede do prédio.

As duas esculturas são obras do artista plástico Tadeu dos Santos, nome de destaque nas artes visuais de Maringá, professor universitário e defensor da causa indígena. “Ele projetou, construiu e pintou tudo. É uma obra de cimento reforçada com vigas de ferro, e que resistiu ao tempo justamente pela qualidade do trabalho”, explica Ana Bressan, filha de Marcelo.

Um ponto histórico da Vila Operária

O imóvel que abrigou a Fantasy Vídeo já foi considerado uma das esquinas mais charmosas de Maringá. Antes, ali funcionava o tradicional Hotel Capri, que tinha em sua fachada uma imagem de São Francisco de Assis. A ideia de manter uma figura de destaque no local se manteve viva com o passar do tempo — e ganhou novo significado quando o cinema dominou o imaginário popular nos anos 1980 e 1990.

“Por trás da estátua do Oscar existe uma história muito bonita, que marcou a Vila Operária. Meu pai adorava ver as pessoas parando para tirar fotos, e até liberava o Wi-Fi da locadora para que pudessem postar nas redes”, relembra Ana.

Em busca de um novo lar

Hoje, o prédio abriga um depósito de materiais de construção. Mesmo sem ligação com o ramo, os atuais proprietários decidiram manter a estátua no local — um gesto de respeito à memória da cidade. Agora, a família Manilia tenta encontrar um destino permanente para o monumento.

“Estamos procurando apoiadores que nos ajudem a preservar essa obra. Seria lindo se ela pudesse integrar uma praça pública, um museu ou um acervo histórico da cidade — algo que continue contando um pedacinho da história da Vila Operária e de Maringá”, conclui Ana.