A Prefeitura de Maringá gastou mais de R$ 34 milhões com o pagamento de horas extras a servidores municipais ao longo de 2025. O valor, semelhante ao registrado em 2024, consta no Portal da Transparência e integra um relatório elaborado pelo vereador Daniel Malvezzi (Novo), que apresentou uma representação ao Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) solicitando a apuração de eventuais irregularidades.
Em julho de 2025, o parlamentar já havia produzido um levantamento detalhado sobre o tema. Na análise, Malvezzi aponta que, somados, os gastos com horas extras nos últimos dois anos se aproximam de R$ 70 milhões. Entre as situações consideradas irregulares estariam pagamentos a servidores ocupantes de cargos que não possuem autorização legal para ampliação da jornada de trabalho, além de casos em que funcionários teriam recebido mais de 200 horas extras em um único mês — o equivalente, em média, a quase cinco horas adicionais por dia, acima do limite previsto em lei.
O relatório também identificou divergências entre as informações disponibilizadas no Portal da Transparência e os registros de folha ponto dos servidores. Segundo o vereador, a representação foi protocolada no TCE após a Prefeitura não adotar “nenhuma medida corretiva”, mesmo tendo sido alertada sobre o problema há cerca de seis meses.
Na denúncia encaminhada ao Tribunal de Contas, Malvezzi sustenta que os recursos destinados ao pagamento de horas extras nos últimos anos seriam suficientes para a contratação de mais de 800 novos servidores. “Esse cenário evidencia um prejuízo contínuo e significativo aos cofres públicos, uma vez que o Poder Público, em vez de organizar de forma racional e legal o quadro de servidores efetivos, recorre de maneira recorrente ao pagamento de valores elevados em horas extraordinárias”, afirma o parlamentar em um trecho do documento.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Maringá informou que ainda não foi oficialmente notificada pelo Tribunal de Contas do Paraná e que, caso isso ocorra, irá “prestar todos os esclarecimentos necessários”.







