A Polícia Civil de Maringá concluiu nesta semana o inquérito que apura supostos golpes aplicados por uma empresa de eventos da cidade contra casais, formandos e fornecedores. Os sócios da agência foram indiciados pelos crimes de estelionato e associação criminosa. A investigação será agora encaminhada ao Ministério Público.
As apurações tiveram início em agosto de 2024, após diversas vítimas registrarem boletins de ocorrência contra a Filia Eventos, que deixou de cumprir contratos firmados para a realização de festas e cerimônias. De acordo com a Polícia, o número de vítimas pode chegar a cerca de 500 pessoas, incluindo clientes, ex-funcionários e fornecedores que não receberam pelos serviços prestados.
Na época em que o caso ganhou repercussão, a empresa chegou a anunciar nas redes sociais que estaria deixando Maringá, alegando ter recebido ameaças. Apesar das investigações, não houve decretação de prisão preventiva contra os investigados, e o paradeiro deles segue desconhecido.
O inquérito foi conduzido pela Delegacia de Estelionatos de Maringá e ouviu aproximadamente 150 testemunhas. Além disso, houve análise de dados financeiros e quebras de sigilo bancário dos envolvidos. Segundo a Polícia Civil, os levantamentos indicaram que a empresa já enfrentava um grave colapso financeiro pelo menos um ano antes das denúncias se tornarem públicas.
Em entrevista coletiva realizada na manhã desta quinta-feira (15), o delegado Fernando Garbelini afirmou que, mesmo sem condições financeiras para cumprir os contratos, a empresa continuou comercializando pacotes de eventos, muitas vezes por valores bem abaixo do praticado no mercado, insuficientes até para cobrir os custos básicos das festas.
Segundo o delegado, as investigações apontaram a existência de dolo antecedente, uma vez que os responsáveis já tinham ciência da inviabilidade do negócio, mas optaram por manter e até intensificar as vendas. Ainda conforme a Polícia, o funcionamento da empresa durante esse período se assemelhava a um esquema de pirâmide financeira, no qual os recursos obtidos com novos contratos eram utilizados para custear compromissos antigos.
Esse modelo teria se sustentado enquanto novos clientes continuavam a contratar os serviços. No entanto, a situação se agravou quando a empresa perdeu credibilidade, após a circulação de vídeos e relatos negativos nas redes sociais, interrompendo a entrada de novos recursos e levando ao encerramento das atividades.
A Polícia Civil não divulgou oficialmente o valor total do prejuízo causado às vítimas, mas, de forma extraoficial, estima-se que a empresa tenha movimentado cerca de R$ 23 milhões entre agosto de 2023 e agosto de 2024.
Com a finalização do inquérito, o pedido de indiciamento será analisado pelo Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento ou não da denúncia. A reportagem tentou contato com a defesa da Filia Eventos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.







