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Municípios da região de Maringá gastam R$ 3,3 milhões com transporte de pacientes em 2025

Os deslocamentos de pacientes para tratamentos de saúde fora dos municípios consumiram uma parcela significativa dos gastos públicos na região de Maringá em 2025. Levantamento realizado pelo Maringá Post, com base em dados compilados pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), aponta que quase metade do valor gasto em diárias de viagens pelas prefeituras da região foi destinada ao transporte de pacientes.

Ao todo, os 30 municípios que integram a Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep) desembolsaram pouco mais de R$ 7 milhões em diárias de viagens ao longo do ano, para diferentes finalidades. Desse total, R$ 3,3 milhões foram utilizados especificamente para o deslocamento de pacientes em busca de atendimentos de saúde. O montante não inclui despesas com combustíveis.

As diárias são pagas, principalmente, a motoristas de ambulância e profissionais de enfermagem que acompanham os pacientes em viagens para consultas, exames e procedimentos especializados, geralmente realizados em cidades de maior porte. Em 2025, Curitiba, Maringá e Jacarezinho foram os municípios que mais receberam pacientes do noroeste do Paraná.

Mandaguari e Astorga lideram gastos proporcionais

Entre as cidades da Amusep, Mandaguari e Astorga se destacaram proporcionalmente nos gastos com transporte de pacientes. Em Mandaguari, dos R$ 717 mil pagos em diárias ao longo do ano, cerca de R$ 300 mil foram destinados a essa finalidade. Do total, R$ 184 mil corresponderam a deslocamentos até Curitiba e quase R$ 90 mil a viagens para Maringá.

Em nota enviada ao Maringá Post, a Prefeitura de Mandaguari explicou que as diárias são concedidas a motoristas e profissionais de enfermagem sempre que há necessidade de acompanhamento assistencial. O município afirmou que não há possibilidade de redução desse tipo de despesa, por se tratar de deslocamentos “essenciais, obrigatórios e diretamente relacionados à garantia do acesso à assistência em saúde”. Ainda assim, o Executivo informou que busca alternativas para conter gastos em outras áreas, como a priorização de cursos e capacitações on-line ou realizados na própria região.

Astorga também apresentou números elevados. Em 2025, a prefeitura pagou R$ 595 mil em diárias de viagens, sendo mais de R$ 300 mil destinados ao transporte de pacientes. Segundo o município, R$ 100 mil foram gastos com deslocamentos para Maringá e outros R$ 64 mil para Curitiba.

Em nota, a Prefeitura de Astorga justificou que muitos tratamentos especializados necessários à população não são oferecidos no próprio município, o que torna indispensáveis as viagens para outras cidades. O Executivo destacou ainda que há deslocamentos frequentes para municípios como Barretos, Curitiba, Nova Andradina, Jacarezinho e Santa Mariana, o que impacta diretamente o volume de diárias. A prefeitura afirmou manter controle e acompanhamento dos gastos, ressaltando também o investimento significativo na área da saúde.

Realidade se repete em todo o Paraná

O cenário observado na região de Maringá reflete uma realidade estadual. Em 2025, os 399 municípios do Paraná gastaram cerca de R$ 100 milhões em diárias de viagens. Desse total, mais de R$ 30 milhões foram utilizados para o transporte de pacientes em busca de tratamentos especializados fora de suas cidades de origem.

Ampliação da oferta de serviços no interior

Procuradas pela reportagem, a Amusep e o Governo do Paraná reconheceram a necessidade de reduzir os deslocamentos e afirmaram trabalhar para ampliar a oferta de atendimentos especializados no interior do Estado.

Em nota, a Amusep destacou que o deslocamento de pacientes é um desafio histórico do sistema de saúde e que, em alguns casos, moradores da região precisam viajar mais de 200 quilômetros para realizar tratamentos, como atendimentos oftalmológicos em Jacarezinho. A entidade defende a ampliação do credenciamento de serviços especializados na própria região, especialmente em Maringá, que já é referência em saúde.

A associação informou ainda que mantém diálogo constante com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e que o tema foi discutido em reuniões institucionais no final de novembro. Segundo a Amusep, o Estado sinalizou que, no primeiro semestre, devem ser apresentadas ações concretas para ampliar a oferta regional de serviços e reduzir custos logísticos.

Já a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que o Paraná investe R$ 1,8 bilhão em obras na área da saúde, com foco na regionalização dos atendimentos. Atualmente, mais de 1,6 mil obras estão em andamento ou viabilizadas em todo o Estado, incluindo unidades de pronto atendimento, ambulatórios especializados, maternidades, hospitais e unidades básicas de saúde.

Somente em 2025, foram concluídas 52 obras em 44 municípios paranaenses. Na região da 15ª Regional de Saúde, foi entregue o Pronto Atendimento Municipal (PAM) de Astorga, enquanto Sarandi e Mandaguaçu avançam nos trâmites para novas unidades. Também está prevista a construção de uma maternidade em Marialva, que aguarda a finalização dos processos de engenharia.

O Ministério da Saúde foi procurado pela reportagem para comentar ações do Governo Federal voltadas à ampliação do atendimento especializado no interior do Paraná, mas não houve retorno até o fechamento da matéria.