Deputado analisou cenário político nacional, avaliou disputa presidencial de 2026 e anunciou obras estratégicas para a cidade.
O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) foi o convidado do mais recente episódio do podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, apresentado por Ronaldo Nezo. A entrevista, gravada no estúdio V Mark Produtora e Estúdio, percorreu temas como o cenário político em Brasília, as projeções para as eleições presidenciais de 2026, a avaliação da gestão municipal de Maringá e uma lista de investimentos estratégicos que, segundo ele, devem transformar a cidade nos próximos anos.
Críticas a gastos públicos e atuação do Judiciário
Ao analisar o momento político nacional, Barros afirmou que parte das tensões em Brasília “são mais narrativa do que fato concreto”. Ele apontou como principal problema o crescimento dos gastos do governo federal aliado à busca por novas fontes de arrecadação, o que encontra resistência no Congresso.
O deputado também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por, segundo ele, adotar um “ativismo político” e interferir em prerrogativas do Legislativo. Citou como exemplo o aumento do IOF, derrubado pela Câmara, mas mantido pelo STF.
Barros defendeu ainda o uso de impostos regulatórios, como tarifas de importação, para proteger a indústria nacional. Ele mencionou a chamada “taxa das blusinhas”, voltada a equilibrar a concorrência no setor têxtil brasileiro.
Relação com cenário internacional
O deputado comentou também os impactos da política externa dos Estados Unidos sobre o Brasil. Segundo ele, a recente elevação de tarifas a produtos brasileiros estaria ligada à decisão do STF que responsabilizou redes sociais pelo conteúdo de usuários — medida que teria gerado pressão de grandes empresas de tecnologia norte-americanas.
Barros fez ainda um paralelo entre as políticas tarifárias do ex-presidente Donald Trump, inspiradas por conselhos de Elon Musk, e o cenário brasileiro. Para ele, ambos os países buscam novas receitas para compensar desonerações fiscais, como a recente isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Eleições 2026: nomes e cenários
Na avaliação de Ricardo Barros, Lula e a direita representada por Bolsonaro — ou um aliado — devem manter cerca de 30% do eleitorado cada, enquanto o centro político concentra cerca de 40%.
“Um candidato de centro deveria ir para o segundo turno e ganhar a eleição, mas o centro se divide”, afirmou, projetando que o cenário Lula x Bolsonaro tende a se repetir.
Ele citou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como o nome mais viável da direita caso Bolsonaro seja impedido de concorrer e o apoie. Também mencionou Ronaldo Caiado (GO), Romeu Zema (MG), Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR) como alternativas.
Segundo Barros, o governador paranaense tem potencial competitivo, mas só deve ganhar espaço se a direita não apostar em Tarcísio.
Avaliação da gestão municipal e o “apagão das canetas”
Ao comentar a administração do prefeito Silvio Barros, seu irmão, o deputado afirmou que a gestão “carece de agilidade”. Ele destacou o que chamou de “apagão das canetas”, a resistência de servidores em tomar decisões por medo de processos judiciais e perda de benefícios.
Para ele, a lentidão administrativa prejudica obras e serviços. Parte das restrições, segundo o deputado, vem de recomendações do Ministério Público que limitam a assinatura de pareceres a servidores concursados.
Ricardo Barros defendeu a criação de núcleos de apoio jurídico para dar defesa gratuita a servidores que tomarem decisões de boa-fé, incentivando-os a agir sem receio.
Obras e investimentos estratégicos para Maringá
O deputado listou projetos em andamento ou em articulação que, segundo ele, reforçam sua proposta de “política de resultados”:
- Contorno Sul Metropolitano – R$ 380 milhões do governo federal para melhorar o tráfego e reduzir o fluxo pesado dentro da cidade.
- Hospital da Criança – Deve gerar 1.100 empregos quando em operação e movimentar a rede hoteleira e de serviços da região.
- Ampliação do Aeroporto – Nova estação rodoaéreo ferroviária, extensão da pista em mil metros para cargueiros de grande porte e criação de um polo aeronáutico.
- Polo de medicamentos – Negociação com a Sinovac para instalação de fábrica de vacinas no Parque de Saúde Tecnológico, com investimento estimado em US$ 100 milhões.
- Fábrica de combustível de aviação – R$ 2,5 bilhões em Sarandi, para produção a partir do etanol, aproveitando a proximidade com a malha ferroviária.
- Rebaixamento da linha férrea – Projeto pronto para captação de recursos, com impacto na mobilidade e revitalização urbana.
Expectativas para 2025
Ricardo Barros afirmou que, com apoio de entidades como a Associação Comercial e das universidades locais, será possível acelerar os projetos e superar entraves burocráticos.
“Todos somos pagos pelo contribuinte. Temos que servir o contribuinte, e não ser servidos por ele”, concluiu.







