A EPR, concessionária que assumirá a administração das rodovias da região de Maringá a partir de fevereiro, não enviou representantes à reunião pública realizada na noite de quarta-feira (21), em Marialva, que discutiu a implantação do sistema de pedágio free flow. O encontro foi organizado para esclarecer dúvidas da população sobre o novo modelo de cobrança automática, já que dois pórticos foram instalados na BR-376, nos municípios de Marialva e Mandaguaçu.
A empresa venceu os lotes 4 e 5 dos leilões de rodovias estaduais promovidos pelo Governo do Paraná e optou por substituir as tradicionais praças de pedágio com cancelas pelo sistema eletrônico. Apesar disso, o formato ainda gera questionamentos entre os motoristas, especialmente sobre valores e impactos nos deslocamentos diários.
Com a assinatura do contrato de concessão prevista para 6 de fevereiro, a EPR estará autorizada a iniciar a cobrança das tarifas a partir do início de março. Até o momento, porém, os valores a serem praticados na região não foram oficialmente divulgados.
A reunião promovida pela Prefeitura de Marialva contou com a presença de moradores e prefeitos de municípios diretamente afetados pela mudança. Durante o encontro, alguns gestores manifestaram discordância quanto aos locais escolhidos para a instalação dos pórticos e destacaram a ausência da concessionária, que era aguardada para prestar esclarecimentos técnicos.
Também foi informado que a empresa alterou os pontos de cobrança em relação às antigas praças com cancelas, tanto em Mandaguari quanto em Presidente Castelo Branco, adotando exclusivamente o sistema eletrônico. A mudança pode atingir diretamente moradores que utilizam as rodovias para trajetos curtos e cotidianos.
Diante do cenário, prefeitos da região passaram a articular ações conjuntas para reduzir os impactos à população, formada majoritariamente por pequenos produtores rurais, comerciantes e famílias que vivem em chácaras. Entre as medidas avaliadas está a elaboração de um documento conjunto para notificar formalmente a concessionária.
A prefeita de Marialva, Flávia Cheroni, afirmou que o município seguirá atuando para proteger os interesses dos moradores mais afetados. “Vamos buscar todas as alternativas possíveis, seja na esfera política, jurídica ou com obras de abertura de estradas. Do jeito que está, alguns moradores terão que pagar pedágio até para ir ao centro comprar pão”, declarou.
Mandaguaçu se adiantou e, na tarde de quinta-feira (22), encaminhou notificações extrajudiciais à EPR e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). No documento, o município manifesta discordância quanto ao local dos pórticos e questiona a falta de comunicação prévia da concessionária com o Poder Executivo local.
Na notificação enviada à EPR, a Prefeitura de Mandaguaçu afirma que a implantação da cobrança eletrônica em um ponto que capta majoritariamente tráfego local, sem estudos aprofundados dos impactos socioeconômicos e urbanos, é incompatível com a função social da concessão e com os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do interesse público.
Aos prefeitos, a concessionária informou que só deverá se posicionar oficialmente após a assinatura do contrato, prevista para 6 de fevereiro. A reportagem também tentou contato direto com a EPR, mas não obteve resposta até o fechamento desta publicação.
Deputado deve acionar a ANTT
O deputado estadual Evandro Araújo (PSD), que acompanha o processo de concessão desde o início, afirmou que está preparando um documento para encaminhar à ANTT, reunindo informações sobre a instalação dos pórticos. Segundo ele, há preocupação com a possibilidade de cobrança de tarifa integral assim que o sistema entrar em operação.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar criticou a condução do processo. “Há informação de que as praças eletrônicas cobrarão tarifa cheia. Isso é injusto com quem faz percursos curtos, depende do acesso entre municípios ou já construiu alternativas para fugir dos problemas da antiga praça física. Já manifestei minha indignação à concessionária e me somo aos demais setores contrários a essa medida”, afirmou.







