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Mais de 450 profissionais da educação pediram afastamento por saúde mental em Maringá em 2025

Mais de 450 profissionais da educação da rede municipal de ensino de Maringá solicitaram afastamento das atividades em 2025 por problemas relacionados à saúde mental. Os dados foram divulgados pela própria Prefeitura de Maringá, em resposta a um requerimento apresentado pela vereadora Professora Ana Lúcia (PDT) na Câmara Municipal.

De acordo com o ofício nº 5402/2025, encaminhado ao Legislativo em outubro do ano passado, 453 servidores foram afastados por motivos ligados à saúde mental apenas no primeiro semestre de 2025. Ao todo, foram apresentados 911 atestados médicos, que resultaram em 6.304 dias de ausência no período analisado. O município não informou dados referentes ao segundo semestre.

O levantamento inclui professores, educadores e também servidores que atuam em funções administrativas, como diretores e coordenadores. Atualmente, a rede municipal de ensino conta com cerca de 6 mil profissionais, sendo aproximadamente 3 mil professores, segundo dados do próprio município.

Histórico de afastamentos

A vereadora Ana Lúcia já havia solicitado informações semelhantes em anos anteriores. Em outubro de 2024, a Câmara aprovou o requerimento nº 1236/2024, que questionou o Executivo sobre afastamentos por saúde mental entre 2022 e 2024. A resposta da Secretaria Municipal de Educação (Seduc), enviada em novembro daquele ano, apontou 180 afastamentos no período:

  • 40 em 2022
  • 61 em 2023
  • 79 em 2024

Entre os diagnósticos mais recorrentes estão transtorno depressivo, transtorno afetivo bipolar, ansiedade generalizada e transtorno de pânico.

“Saúde mental precisa ser política pública”

Em entrevista ao Maringá Post, a vereadora classificou o cenário como preocupante e ressaltou que o adoecimento mental não atinge apenas os profissionais da educação.

“Quando olhamos para a série histórica, percebemos que esse problema vem crescendo ano após ano, com destaque para diagnósticos como ansiedade e transtornos depressivos, além do aumento significativo de afastamentos longos, acima de 30 dias. Esse cenário não atinge apenas a educação; profissionais da saúde também estão adoecendo pela sobrecarga, pela pressão constante e pela ausência de políticas permanentes de cuidado”, afirmou.

Segundo ela, campanhas pontuais não são suficientes.

“Janeiro Branco não pode ser apenas simbólico. Saúde mental é política pública e precisa estar no centro das decisões, com investimento, apoio psicossocial, valorização dos servidores e condições de trabalho mais humanas”, completou.

O que diz a Prefeitura

Procurada, a Prefeitura de Maringá informou, por meio de nota, que desenvolve políticas voltadas à promoção da saúde mental dos profissionais da educação. Entre as ações previstas estão:

  • Implantação do programa “Fluir das Emoções”, com encontros voltados ao autoconhecimento e fortalecimento emocional;
  • Projeto “Cuidar de Quem Ensina”, lançado em 2025 pela Secretaria de Gestão de Pessoas, com módulos sobre saúde mental e comunicação não violenta;
  • Atuação do Núcleo de Justiça Restaurativa, com ações de acolhimento e mediação de conflitos;
  • Manutenção do programa “Um Outro Olhar”, que oferece escuta qualificada e acompanhamento multiprofissional, com psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais.

Segundo o Executivo, as iniciativas incluem visitas aos locais de trabalho, orientações funcionais conforme a condição de saúde e encaminhamentos para tratamento especializado quando necessário.